Por
Amanda R.
Andava. Seguia reto. Sem rumo, na verdade. Era só pra andar, porra! Segue...
Não sou uma pessoa contemplativa. Acho desnecessário. Eu traço um objetivo e vou. Nem sempre. Estou mentindo. Eu só ando. Não quero pensar muito...
Paro, às vezes, por que sou sendentária. É importante ter uma garrafa d’água. Não precisa estar fresca. Eu sempre esqueço de trocar a água. Ninguém bebe da minha água mesmo. E se bebesse também? Eu não tenho muito critério. É só água. Acredito na minha higiene pessoal. Seguindo...
Faço sempre o mesmo caminho. Evito quebrar a rotina. Mentirinha, vou a lugares que consiga voltar para casa.
Estranha essa sensação. Parece que tem gente do meu lado. Eu sou neurótica. Assumo. Mas, mania de perseguição é um mal que eu não sofro, ou não sofria. Tratando-se de mim, qualquer mal pode me acarretar. Sim. Eu faço drama.
(Mulher se aproxima)
- Oiiiiiiii, lembra de mim? Quanto tempo!! - disse ela.
Se eu lembro de você? Na verdade... Esses olhos... Certeza que é da faculdade.
- ... Oi.
- Tanto tempo desde a formatura do inglês!
Hahahaha. Eu nunca acerto. Vesguinha do inglês. Que azar! (...) Meu estômago... Pimentão nunca me fez bem, de verdade...
- ... Acontece.
Nunca sei o que falar nessas horas. Não tenho uma gaveta de frases feitas, (in)felizmente. Por que, nos parques, os pássaros parecem ser bem mais mal educados?
(Algumas perguntas sobre a minha vida atual depois...)
- Vamos marcar algo? Estou com saudade!
Alto lá! Aposto que você viveu muito bem sem a minha presença na sua vida nesses anos. E eu? Eu nem lembrava da sua cara. Só não vou perguntar o seu nome, Vesguinha, por considerar uma grosseria.
- Claro. Vai ser muito prazeroso.
(Volto a andar)
Ainda sobre os pássaros: Nos parques, eles parecem sentir mais fome. Nota mental: preciso recarregar meu celular.