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Rafael Ilha abre o jogo no Pânico
Por: Bruna Lacorte

Depois de enlouquecer garotas do país inteiro com o Grupo Polegar, o jovem Rafael, ficou sumido da mídia por um tempo. Ninguém sabia do paradeiro do famoso, até que sua história chamou a atenção da imprensa.

Afundando nas drogas, Rafael Ilha sofreu com a dura vida nas ruas, sem família e sem perspectivas.

Hoje ele garante que está há quase três anos sem consumir qualquer tipo de droga e aproveita sua experiência para trabalhar com dependentes químicos. Ele se converteu ao evangelho, deu a volta por cima e agora está casado, a espera de um filho, que deve nascer em maio.

Confira a entrevista com o ex-Polegar, que esteve na Pan nesta sexta (31).

Você deu a volta por cima. Como está sua vida agora?

Graças a Deus, estou trabalhando bastante. Eu gravei no ano passado um CD de louvor, de músicas evangélicas e me converti faz dois anos e meio mais ou menos, fora o meu trabalho dentro das igrejas, de evangelização, de louvor. Eu estou com um trabalho para este primeiro semestre que é abrir uma clínica para tratamento de dependentes químicos aqui em São Paulo. Eu já estou trabalhando com isso desde o ano passado. Eu faço encaminhamento, orientação, trabalho de prevenção.

Como é o seu trabalho com os dependentes químicos?

Eu já estou fazendo trabalho de encaminhamento. A gente corre atrás das clínicas,
porque muitas pessoas que vêm nos procurar são pessoas sem condições. Hoje uma clínica mais ou menos pra tratamento de dependente, não é nem uma top de linha, é dois mil e duzentos reais por mês, no mínimo e a maioria das pessoas não tem condições. E as do governo na maioria é psiquiatria. Não tem um atendimento
psicológico, um acompanhamento. Então, joga no manicômio lá, enche o cara de
remédio, o cara sai pior que entrou, então a gente tenta correr atrás disso.

Sua história foi muito explorada pela mídia e até hoje muita gente brinca com o fato de você ter engolido pilhas certa vez. Como foi isso?

Engoli mesmo! Engoli isqueiro, engoli caneta, engoli tudo que tinha direito. Mas
isso não era loucura, de achar que era comida, não era nada disso não. É que eu
estava numas clínicas psiquiátricas fechadas nessa época. Não tinha jeito de sair do lugar e eu queria sair, porque, bixo, era horrível! Era pior do que uma prisão. Você olha pro lado, tem um cara comendo cocô, você olha pro outro, tem um cara bebendo xixi, o outro vomitando. Era podre! Eu queria sair desse lugar, mas não tinha jeito. Aí eu resolvi engolir alguma coisa para os caras me levarem pro hospital, pra eu fugir de lá. E foi o que eu fiz. É como no filme com o Rodrigo Santoro, o "Bicho de Sete Cabeças". É dali pra pior!

Você se acha vítima da mídia?

Os programas exploravam muito o meu caso pra ter audiência. Infelizmente o que dá ibope hoje é violência e mulher pelada. É horrível, nada de bom. A Cultura, que tem uma programação legal, ninguém assiste. Ninguém quer saber de cultura.

Como você entrou para o Grupo Polegar?

Eu trabalho com televisão desde os nove anos de idade. Eu fiz comercial da Bic, do
Neston, Kichute. Quando eu estava com uns doze, treze anos, a agência que eu
trabalhava me chamou pra fazer um teste. Fui lá e me perguntaram "você toca?" eu falei "não", "você canta?", eu falei "canto!". Aí cantei uma música lá e como eu
tinha cara conhecida já, fui o primeiro a entrar no grupo.

Na época do Polegar, como era o assédio das mulheres?

Mulher é o que mais tinha. Não agüento mais hipocrisia, por isso quero trabalhar
logo mais rápido com dependentes porque eu não agüento. Os caras falam "eu não tenho relacionamento com fã". Para né, bixo! Isso é papo furado. Tinha mulherada, eu era moleque, tinha quatorze, quinze anos, o que eu queria era zoar mesmo.

Quais coisas você se arrepende de ter feito quando era dependente químico?

Não se arrepender dos nossos erros é burrice. Eu me arrependo do tempo que eu perdi, das oportunidades que perdi, de grana que eu perdi. Me arrependo de um monte de coisa, de ter prejudicado a minha família, de fazer minha família perder tempo, de deixar minha mãe triste, de deixar pessoas que me amavam e acreditavam em mim tristes. Me arrependo principalmente de ter conhecido essa porcaria! Eu chequei num ponto que eu estava fumando cinqüenta, sessenta pedras de crack por dia. Eu passava treze dias sem dormir. Eu tive nove overdoses. Eu cheguei num ponto que eu fumava crack e chorava, porque eu troquei minha vida, não tinha família, não comia, não dormia, não tinha mulher, não tinha nada. A gente vê a molecada hoje achando que precisa de droga pra ficar doidão, pra curtir.

Como você começou a usar drogas?

Eu entrei nessa. A rapaziada toda usava. O cara usa um baseado, o outro toma uma cachaça, o outro cheira uma carreira. Aí você acha que pra ser bambambam, pra fazer parte daquela galera você tem que cheirar, você tem que fumar. Que nada bixo! Hoje eu danço, eu curto e faço tudo muito melhor, sem droga, sem nada.

Você acha que convivendo com outros dependentes você pode prejudicar sua recuperação?

Não. Se minha mãe ou minha avó morressem, se minha mulher me deixasse, nada disso me levaria a usar drogas de novo. Eu sofri muito. Minha fé me salvou. Hoje a fé é a base da minha vida, do meu trabalho, da minha família, é o que me sustenta.

Como é sua relação com o Gugu?

Todo mundo me pergunta isso. O Gugu sempre foi o meu empresário, é uma pessoa por quem eu tenho um carinho, uma admiração como profissional, mas a única coisa que ele me ajudou na vida foi pagar o advogado quando eu estava preso. O resto foi relação patrão-empregado e acabou.

Por que você foi preso?

Eu estava bem louco, foi numa época que eu morava debaixo da ponte mesmo. Eu estava acabado, jogado no meio da rua. Eu não queria roubar, estava com medo até da sombra, porque eu estava roubando, traficando, estava no fundo do poço. Eu estava tão louco, que estava com medo de roubar. Então eu fui pedir na rua. Aí eu pedi pra um velinho e ele me deu um soco. Então eu cobri o velhinho na porrada. Aí parou um carro policial, me mandou parar e falaram que eu estava tentando roubar o velhinho. Depois eu estava pedindo para umas meninas num ponto de ônibus e uma delas me deu um passe e outra estava me dando um real, quando a polícia chegou. Aí os policiais me reconheceram, mesmo eu estando irreconhecível. Aí fizeram aquele auê. Os caras falaram no rádio, sabiam que a imprensa está ligada no rádio. Cheguei na delegacia, a delegada muito gentil, me arrumou uma cela limpinha, me deu cachorro quente e vitamina e falou "assina aqui logo para eu te liberar, porque está uma bagunça na porta, toda a imprensa está aqui" e eu assinei a papelada, estava doidão. Daqui a pouco minha advogada chegou "que você fez?" e eu disse "assinei pra ser liberado". Ela falou "não, você acabou de assinar dois assaltos à mão armada". Fiquei cinqüenta dias preso. Foi isso que aconteceu.

BATE BOLA

Nome: Rafael Ilha Alves Pereira

Data de Nascimento: 07/03/1973

Signo: Peixes

Adoro: Trabalhar

Odeio: Cozinha

Mania: Arrumação

Superstição: Nenhuma

Uma coleção: Ternos

Um filme: "ET"

Um CD: "The Wall"

Uma Música: "Codinome Beija-Flor"

Cantor: Flavio venturini

Cantora: Jane Dubac

Banda Nacional: O Rappa

Banda Internacional: Pink Floyd

Mulher dos sonhos: Mariana Ximenes

Melhor cantada: Todas

O que não pode faltar na sua geladeira: Frutas

Peça que não pode faltar no guarda-roupas: Camiseta branca

Peça que não entra no guarda-roupas: Roupa de lã

Como faz para manter a forma: Musculação

Hobby: Futebol

Sonho de consumo: Porshe

Como a fama mudou sua vida? Perdi a privacidade

 
   
   
   
         

 

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